Por Nilda Silva
Em qualquer situação, mentir é, certamente, um dos mais graves erros que se pode cometer na vida publica. Mais que um erro, mentir é uma falha ética (hoje em falta) grave. Implica consequências sérias. A mentira é sempre um rompimento unilateral da confiança até então existente. É o rompimento de um pacto de honra que destrói a confiança daquele que foi alvo da mentira no caso o eleitor.
Geralmente as relações políticas que existem são criadas por estruturas sociais intermediárias, como referências de terceiros, e, acima de tudo a comunicação pela mídia. São relações inicialmente de simpatia, a seguir de preferência, e, por fim, de confiança.
Mas é preciso qualificar: trata-se de uma confiança que não lançou raízes no íntimo do eleitor e cidadão, é uma confiança que facilmente pode ser abalada e transformar-se no seu oposto. É, pois uma confiança precária e fácil de ser rompida.
Veja-se o caso de uma campanha eleitoral. Toda campanha é um processo de comunicação, mas é, “comunicação interessada”, isto é, todos os candidatos buscam obter dos eleitores algo que precisam muito: o voto. O eleitor sabe disso e procura descobrir, dentre os candidatos, argumentos, projetos e ideias com os qual concorde e valores, atitudes, gestos e comportamentos que lhe permita se identificar com aquele candidato.
Não basta, portanto, ter bons projetos, ideias e argumentos. Mas, ao contrário do que muitos pensam, essas razões não bastam para decidir em quem votar. Eles apelam para lado emocional. Atentai bem: muitas vezes, mesmo diante de excelentes projetos, o eleitor vota naquele que mais empolga , ainda que seus projetos não sejam tão bons.
A campanha de cada um dos candidatos funciona então como uma oficina de informações positivas, otimistas e estimulantes sobre ele e seus projetos e de informações negativas sobre seus adversários. Estas informações podem lançar profundas dúvidas sobre o caráter, a honestidade, a coerência ou a competência do adversário.
Se a informação estiver sustentada por fatos e/ou documentos irrefutáveis, e o acusado não puder apresentar razões sólidas em seu favor, ficará numa situação política de grande fragilidade.
Resumo da ópera: no cenário atual, com a informação fácil nos dias de hoje, o político deve pensar antes de falar.